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O ministro só tirou a fila da calçada
12-12-2012

Só não foi fulgurante a visita do ministro Alexandre Padilha ao Rio, no fim de semana, porque faltou pirotecnia. Para bater a performance de Humberto Costa – seu antecessor no cargo e na magia de curar com manchetes os males do ministério da Saúde – é preciso mais que sedativos. Na semana em que o Into pendurou dois mil doentes numa fila na calçada, porque só lhes oferecia um número de telefone para marcar consultas, Padilha abriu linhas, acenou com gorjeta para médicos operarem aos sábados e abafou a crise.

Mas não foi além do curativo. Nem na foto em que posou vestidinho de médico, com máscara cirúrgica sobre o peito. O Into não padece de febre ocasional. O mal tem raiz na maneira peculiar como governantes dão por prontas obras que sequer chegam à metade. Faltam-lhe médicos, cirurgiões permanentes, enfermagem e serviços gerais.

Não que três anos de obras tenham sido pouco para prever tudo isso. Mas um ano depois de aberto ao carioca, o hospital não tem rede de computadores que fale com o mundo exterior. Sequer programa alcançável por um posto de saúde, Clínica da Família ou UPA de bairro distante para agendar consulta.

Por isso, Padilha desembarcou no Rio com um punhado de vagas de telefonista nas mãos. Agora, o hospital que a presidente inaugurou para fornecer medicina de ponta, vai oferecer o que outros estados faziam há 15, 20 anos: consultas marcadas por telefone. Sabe-se lá para quando porque, em novembro do ano passado, a fila de espera por cirurgias era de dois anos.
Não se espere da visita do ministro alterações profundas. O hospital tem um centro cirúrgico com sete salas, das quais cinco funcionam. Se as sete forem postas a funcionar de segunda a sábado os números começarão a mudar. Nada, porém, antes de fevereiro e muito lentamente, porque só muito treinamento azeita a estrutura interna dos hospitais.

O episódio do Into mostrou apenas que é muito longo o contencioso entre o Rio e o ministério da Saúde. Em 2005, posto de frente para o desastre da rede local de hospitais federais, Humberto Costa, então na cadeira de Padilha, nem piscou. Jogou a batata quente para o prefeito, plantou hospitais de campanha nas praças da cidade e prometeu zerar o deficit de saúde em dois meses. Era cascata, claro, mas o ministro esbaldou-se no noticiário.

Há um par de meses pesquisa do SUS demoliu o atendimento primário de saúde no Rio. Padilha crucificou o prefeito, que acusou o golpe, rebateu com seus números, mas pouco adiantou. Padilha tinha saído na frente no noticiário. Agora, o ministro foi atropelado pelo absurdo da fila sob o sol de 40º e, à falta de resposta, acenou com um leque de telefonistas. Não resolve, mas tira a fila da rua e das manchetes. (publicado em Metro)





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