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O riso do CQC não cabe no pool de Brasília
21-04-2012

O riso talvez seja a mais singela e completa manifestação da liberdade de expressão. Pode-se rir do que der na telha. Embora a delicadeza não o recomende, até da desgraça alheia há quem ria. Para as ditaduras, porém, tem um defeito o riso. O sentimento que o provoca e o prazer que dele deriva são imperscrutáveis, individuais. Cada um os percebe na sua medida. Isso, no grande picadeiro da imprensa de Brasília, é imperdoável.

Foi o que levou o Sindicato dos Jornalistas de Brasília a pedir que o poder limite o ir e vir dos jornalistas do programa Custe o Que Custar. O pessoal do CQC provocou riso na coletiva da secretária de Estado, Hillary Clinton, no Itamaraty, ao oferecer-lhe uma máscara de carnaval. A secretária gostou – tanto que levou a máscara. Mas o riso, por indivisível, ameaçou uma das instituições mais caras à imprensa da capital do país.

Separados jornalistas que, bem contados, talvez não ocupem os dedos das mãos, os demais que se movem no círculo brasiliense do poder – Planalto, ministérios, Judiciário e Congresso – batem ponto numa espécie de seita tão antiga quanto funesta. Tem o nome de pool e garante a todo jornalista da cobertura miúda receber as informações sobre o que aconteceu na área sob sua responsabilidade. Mesmo que tenha passado o dia a léguas dali, mostrando a cara no 2º, 3º ou 4º empregos (conheci quem tivesse sete).

É desse ranço que trata a nota do sindicato. Embora se ofereça travestida de “preponderância da atividade jornalística sobre a humorística”, era tudo o que alguns gabinetes do governo queriam: botar para longe quem possa apontar para a sociedade um pouco do ridículo que ali ocorre. Duro, no entanto, é descobrir que, ao contrário do que o país imaginava, não se limitam a correntes do PT e do governo as tentativas de botar arreios na imprensa. A serpente se aninha justamente numa entidade cuja existência se fundamenta na liberdade de expressão.





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