Há na doença do presidente Hugo Chávez evidências médicas que têm permanecido ao largo do noticiário e que contrariam tudo o que ele e seus ministros têm dito. Cirurgiões brasileiros, com ampla experiência no tratamento de câncer na região dos tumores que acometem o presidente da Venezuela, duvidam da versão segundo a qual Chávez enfrenta um novo tumor no mesmo local do primeiro.
Embora não se saiba com precisão a área afetada (apenas que o tumor se localiza na região pélvica), já que é o próprio presidente quem divulga os boletins sobre sua saúde, os médicos brasileiros acreditam que o tumor pode estar no reto ou no sigmóide, o trecho final e descendente do intestino grosso. Na próstata certamente não está.
Em julho passado, pouco antes da primeira cirurgia, Chávez disse que tinha um abcesso pélvico. Os brasileiros acham que isso é um jeito de desviar a conversa do rumo da gravidade. Abcesso pélvico e tumor de próstata não se juntam no mesmo diagnóstico. Mais: se havia tumor na próstata, a glândula obrigatoriamente teria sido retirada nessa operação. Vai daí, não poderia haver um novo tumor no mesmo lugar. Poderia, no entanto, se fosse no reto ou no sigmóide. Mas, mesmo nessa área, os cirurgiões brasileiros não acreditam em tumor novo, como afirma o presidente.
Seria o caso extraordinariamente raro de um tumor surgir e chegar a dois centímetros em pouco mais de seis meses. Mesmo em suas variações mais agressivas, dificilmente um tumor primário teria desenvolvimento tão rápido. Mais coerente com o atual estado de saúde de Chávez seria a descoberta de metástases óssea ou, como informou o jornalista Merval Pereira em seu blog, hepática.
Recidivas da doença inicial, porém, têm sido negadas com vigor pelas autoridades na Venezuela, ainda que seja cada vez menor o número dos que lhes dão crédito. Há sete meses, quando o presidente foi operado em emergência, Ponte Aérea ouviu os mesmos cirurgiões brasileiros que, já então (veja aqui), apontavam para a quase certa possibilidade de metastases em seis meses.
E mais: diziam que dificilmente – e num prazo muito curto – a doença não seria fatal. O que está ocorrendo agora, segundo eles, é o que se observa em milhares de casos semelhantes, principalmente quando operados em emergência, como foi o caso de Chávez.
É a praga maligrina que recai sobre os caudilhos, aprendizes de ditadores, falsarios, 171 dessa américa latrina.