Da maneira como são planejados e postos de pé os conjuntos habitacionais no Rio o fracasso em que se transformam já não deveria produzir surpresas. Sem escolas, postos de saúde ou transportes dignos do nome Sepetiba I e II apenas repetem os resultados que se colheram no Quitungo, na Penha e até na Cidade de Deus.
Numa imprensa que, salvo uma dezena de profissionais, acumula empregos como fichas de jogo, a intervenção dos jornalistas do CQC na entrevista de Hillary Clinton não poderia passar batida. Em nota, o Sindicato dos Jornalistas de Brasília se revela o melhor aliado de correntes do PT e do governo contra a liberdade de expressão.
Se a fila de dois anos e 22 mil pacientes à espera de cirurgia no Instituto de Traumato-Ortopedia, no Rio, já é uma aberração, imagine-se um adjetivo para o crime de jogar um hospital inteiro no lixo, como fez o governo Lula para sepultar uma obra do antecessor. O Instituto de Neurociências estava pronto em janeiro de 2003. Hoje é escombros.
Pode parecer uma daquelas manias que visitam a cidade nos verões, mas não é. Da mais fina confeitaria da Zona Sul ao botequim pé-sujo do subúrbio vigora no comércio do Rio o hábito de surrupiar do freguês parte do troco. Moedas de pequeno valor existem, mas ficam com caixas e balconistas que decidiram anexar a seus salários o bolso alheio.
Cirurgiões brasileiros acham que há na doença do venezuelano Hugo Chávez evidências que desmentem o presidente e sua versão de novo tumor. Seria o caso extraordinariamente raro de tumor que surgiu e chegou a dois centímetros em pouco mais de seis meses. Tudo aponta para metástases óssea ou hepática.
Nas vésperas da Rio 92, Brizola, que apreciava pirotecnias, anunciou que tinha conseguido US$ 1 bilhão para limpar a baía de Guanabara. Ia cumprir a tarefa para a qual antecessores tinham feito vista grossa por décadas. Desde então nos emprestaram mais de US$ 5 bilhões, que afogamos nessas águas sem recolher um balde de lixo.
Do espancamento de uma doméstica na Barra, há cinco anos, ao mendigo pisoteado na Ilha do Governador, há poucos dias, o Rio viu miseráveis serem incendiados nas ruas numa sucessão de horrores que parece ter vacinado a sensibilidade carioca contra a barbárie. É como se apenas a desgraça inédita fosse capaz de produzir reação.