Peter Tschaikowsky
Aqui temos dois (O Lago dos Cisnes e A Bela Adormecida) de seus três mais famosos balés. O terceiro (Quebra Nozes) nunca o deixou muito satisfeito com o resultado. Foi também o último que compos, em 1892, já que morreria no ano seguinte.
É puro absurdo, mas vigora no Rio de Janeiro fórmula pela qual a sociedade gasta mais com quem comete crimes que com o policial militar que bota os bandidos no xilindró. Enquanto um criminoso e sua família podem custar ao contribuinte perto de 1.500 reais por mês, o salário líquido de um soldado da PM não passa de mil.
Não é propriamente um acordo entre a lei e o crime, mas nas favelas ocupadas no Rio o policiamento foi limitado a pontos fixos e o tráfico tornou-se itinerante. Já existem roteiros para a entrega de droga. A mudança seria tentativa de conter o aumento no número de crimes no asfalto, fenômeno que se repete sempre que o tráfico é asfixiado.
O que não está sendo dito por quem cuida do assunto é que crack é o novo flagelo do Rio e não apenas entre a crescente população de rua. Sem botar na conta que, das mil favelas da cidade, em seiscentas já se consome a droga em larga escala, 80% das crianças e adolescentes que vivem nas ruas estão entregues ao crack.
O desaparecimento da jaqueta e dos tênis roubados do coordenador do AfroReggae por seus assassinos e tomados por dois PMs é parte do cenário para livrar os policiais da cadeia. Prepara-se um espetáculo para transformar um crime em desvio de conduta. O próximo passo é alterar as imagens gravadas por câmeras de segurança.
A queda do helicóptero da PM na favela Morro dos Macacos produziu novo mistério na área de Segurança do Rio: por que os tripulantes, três dos quais morreram, não usavam uniformes resistentes ao fogo. Na PM fala-se que a empresa vencedora da licitação os entregou imprestáveis. Na secretaria informa-se que dali não saiu uniforme algum.
Criado no governo do casal Garotinho para sepultar uma boa idéia da administração Benedita da Silva, o emprego de helicópteros para combater e vigiar o tráfico de drogas no Rio deu errado e foi tirado do ar. Agora está de volta e já se pensa em usá-los contra a bandidagem nas favelas da cidade com armas para guerra em campo aberto.
O governo do Rio silencia, mas sabe que tem três dificuldades principais para devolver a paz ao carioca: tropas para ocupar os morros, fazer isso sem empurrar criminosos para o asfalto e, mais difícil, resolver essas questões tendo de limpar a PM dos bandidos que abriga. Tivesse a solução, a cidade teria sido poupada da guerra deste sábado.