Os combates entre quadrilhas de traficantes, que persistem mesmo em áreas pacificadas do Rio, refletem nova estratégia das facções em busca de território mais amplo que permita multiplicar pontos de venda e montar um varejão de drogas. Identificá-los deveria ser tarefa dos serviços de Inteligência, mercadoria escassa na PM.
A promessa do presidente da CEF de apertar empreiteira que faz casas que se desmancham para flagelado das tragédias no Rio é pura miragem. Cimento, blocos de concreto e asfalto são os mesmos, mas, sejam prédios, ruas ou estradas, o que estabelece a diferença de qualidade entre obras públicas e privadas no país chama-se comissão.
Carioca algum tem dúvidas sobre a necessidade de banir das ruas a frota do transporte pirata. Vans e kombis caindo aos pedaços e conduzidas com selvageria por empregados de milícias não são propriamente maneira recomendável de deslocar-se entre a casa e o trabalho. Questionável é a eficácia de fazer sem mudar o cenário que criou isso.
Arquitetada entre Polícia Militar, seguradoras e corretores a decisão que acabou com o BRAT e transferiu para os envolvidos o relato on-line de acidentes sem vítimas é pura miragem. Prevê resultados incompatíveis com o cenário em que será aplicada e mente sobre a validade jurídica das ferramentas que oferece.
Pouca serventia terá demitir o médico que, com o dinheiro do contribuinte, contratava mão-de-obra para substituí-lo nos plantões do hospital Salgado Filho, ou o chefe que tolerava essa vergonha. A degradação é do sistema e conta com o silêncio do Sindicato dos Médicos e do Cremerj.
Até onde a vista alcança, em luz, telefone ou água, o que deu para ver desde a virada da ano não permite esperar nada melhor em 2013. Apagões nos picos de consumo de energia, carros-pipa nas cidades turísticas e comunicação interrompida porque a operadora agora só investe em 4G. É o preço de trocar agências reguladoras por penduricalhos políticos.
Desde que Humberto Costa, em 2005, abafou com hospitais de campanha nas praças a crise da rede federal de saúde no Rio não se via nada igual. Com um punhado de vagas de telefonista e gorjeta para médicos, Alexandre Padilha tirou das manchetes a fila de dois mil doentes que o Into havia pendurado sob o sol de dezembro.